Materiais de aquarela: o papel


Watercolor Paper - Fabiana Silveira

“A decisão mais importante quando decidimos fazer uma aquarela é a escolha correta do papel” - William Tillyer


Quando pensei em escrever aqui sobre materiais, o mais lógico seria começar falando sobre os tipos de tintas aquarelas, suas marcas, formatos, o que eu uso, etc. Mas na verdade, vou deixar isso para outro momento pois o papel para mim tem uma importância muito grande neste processo. Ele será o suporte do trabalho e portanto, devemos escolhê-lo com especial cuidado.

O papel é emocional, sensorial… É uma tentação visual e táctil.

Primeiro de tudo: eu gosto de papel. Pode parecer um pouco old school, ainda mais atualmente onde quase tudo é digital, mas sou encantada por este suporte. O cheiro, as texturas, as cores… Com a aquarela já experimentei algumas marcas de papel, umas bem conhecidas e outras nem tanto; testei gramaturas, tamanhos e texturas diferentes. Blocos, folhas soltas… Por isso surgiu a ideia de compartilhar um pouco dos meus testes aqui com vocês nesta pequena introdução sobre o assunto.

Uma coisa tenho certeza e deixo de dica, se você está iniciando neste mundo aquarelável, precisa experimentar, só assim saberá qual a técnica que você gosta e poderá então escolher o papel ideal e que vai atender às suas necessidades. Senão, pode ser uma frustração só. 

Não podemos esquecer que a escolha entre um papel de alta ou baixa qualidade não está relacionada somente ao preço mas também na conservação do trabalho com o passar do tempo, uma vez que, eles podem perder suas propriedades, amarelar e com isso, danificar a pintura / ilustração. 

Deixo aqui 3 dicas para escolher um bom papel:

  • Que seja um papel livre de ácidos;
  • Quanto mais aguada a sua técnica mais gramatura você irá necessitar. Comece com um papel de 300gr para saber se você pode trabalhar com mais ou menos que isso;
  • Grão fino ou grosso? Depende do tipo de acabamento que você deseja ao trabalho. O primeiro é mais suave, fácil de trabalhar e com uma absorção natural da água. Já o grão grosso é mais indicado para quem possui mais domínio da técnica, e também, melhor aplicado em trabalhos com poucos detalhes pois sua textura será parte marcante da obra.  

Recentemente, experimentei um modelo de papel artesanal para aquarela, feito a mão e com 100% algodón. O grão era mais grosso e a gramatura era menor do que estou acostumada a utilizar, mas também possui seu encanto. O modelo que comprei foi este aqui.

Artesanal paper - Fabiana Silveira

Eu particularmente estou em uma fase de carinho especial pelo Canson Heritage grão fino. Me permite explorar a técnica aguada e apresenta um resultado limpo, uma leve textura que realça o trabalho sem interferir na composição.

Canson® Héritage - Fabiana Silveira

E os preços? Bom, como qualquer outro material de belas artes, encontramos uma grande variedade de marcas e valores para todos os bolsos. Posso dizer que já comprei um bloco de uma marca “superior” e que não atendeu as minhas expectativas e ao mesmo tempo, provei um papel de uma marca “desconhecida” e que para mim funcionou super bem. 

Entre aquarelistas mais experientes vejo a opinião unânime de que o papel ideal para aquarela é o que possui 100% algodão. Não possuo tantos anos na técnica, mas acredito que é possível chegar a bons resultados em opções de celulose ou papéis artesanais (que algumas vezes são feitos de misturas de composições diferentes).

O importante com o papel e a aquarela realmente é experimentar, buscar uma opção que funcione para ti e que ao mesmo tempo te permita seguir criando. Afinal, a escolha de um papel pode elevar ou arruinar um trabalho. No meu Instagram sempre compartilho algumas dessas experiências (boas e ruins!), acompanhe lá!

Um forte abraço e cuidem-se! 

Fabi


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