Arte e quarentena


É fato, estamos vivendo um momento histórico. A chegada do COVID-19 e a incerteza e o medo que trouxe junto com ele, afetou a todos a nível mundial. É um momento triste, estranho... Nos vemos inseridos em conversas que giram em torno de temas como contágio, vírus, máscaras, quarentena e que até então, não fazia parte da nossa rotina. E de repente, somos privados da nossa liberdade, alguns forçados a criar novas dinâmicas de trabalho e nos vemos também preocupados em cuidar da nossa saúde mental.

Pieter Bruegel the Elder, Triumph of Death, c. 1562

A humanidade já vivenciou outras pandemias. Buscando algumas informações sobre isso, encontrei uma matéria do Daily Art Magazine de algumas semanas atrás, que faz um recorrido sobre a história, algumas pragas e a produção artística nestes períodos, desde a Peste Negra no século XIV, passando pela Gripe Espanhola já em 1918 e também cita o auge da epidemia de AIDS que aconteceu nos anos 80. É interessante analisar cada obra e ver como os artistas retratavam a sua realidade; temas como esqueletos e morte eram muito comuns.

Paulus Furst de Nuremberg, Dr. Schnabel von Rom , 1656

Mas como sobreviver ao coronavirus? Ao mesmo tempo que é inevitável pensar em como será nossa vida / trabalho / arte depois que isso tudo passar, acredito que é necessário manter-se positivo e com a mente trabalhando em oportunidades. Li em algum lugar que somos pacientes para trabalhar em um escritório durante 5 anos, mas não temos a mesma paciência para desenvolver algo próprio. Pois é, aí vamos!

Como já trabalho em home office e vivo num vilarejo tão pequeno, o meu dia a dia não foi tão afetado pelo confinamento. A maior luta nas últimas semanas foram comigo mesma e não com os projetos que não entraram. E o que me ajuda a manter o ânimo? A inspiração. Conhecer a história de outras pessoas, investigar mais e mais meus referentes, fazer o que gosto. Também fiz alguns cursos para melhorar meus conhecimentos sobre estratégia. E tá tudo bem se um dia a disciplina para tudo isso decide ir passear: haverá um dia seguinte para se recuperar. É claro que vi filmes e séries, e mesmo que eu pense que era um momento de lazer, às vezes, surgem ideias maravilhosas nestes momentos também e estou aberta a que isso aconteça, sem culpas.

 

Nesta quarentena já estive produzindo em vários projetos diferentes, estudando, investigando, e experimentei técnicas que não tinha trabalhado ainda. Tudo é válido neste processo de construção, do fazer artístico e de explorar possibilidades já que as limitações são tantas que, se acaba meu papel de aquarela, o que posso utilizar? Até destruí um mostruário de papéis de impressão para ver quais me serviriam de suporte. E por primeira vez, compartilhei em vídeo um pouquinho do meu processo pintando.

E claro, não posso deixar de comentar as iniciativas bem legais que vejo a cada dia nas redes sociais. Acredito que talvez caminhamos para uma maior valorização da arte: as lives de cantores para arrecadar doações; a união e colaboração entre artistas para manter ou criar novas formas de obter renda; exposições virtuais para divulgar projetos de artistas emergentes… E depois de tantos dias confinados, muitos se deram conta que a arte é necessária, não é apenas da elite ou do artista, ela é da sociedade.

Em proporção bem menor, mas com o desejo de colocar o meu grãozinho de areia para trazer algo mais de alegria nestes dias, decidi transformar 3 das minhas aquarelas em wallpapers para celular e compartilhar gratuitamente. Fique à vontade para fazer o download! 

Espero que você, onde estiver, esteja seguro. Se cuida!
Um abraço,
Fabiana

 

 

 


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